.
EM TERRA DE CEGOS...



No estudo Sinais de Competitividade das Américas, a Rede Interamericana de Competitividade coloca o Brasil como o maior investidor em inovação, ciência e tecnologia entre os países da América Latina e do Caribe. Triste consolo: diz o mesmo estudo que os latino-americanos são historicamente atrasados nessa área e faltam políticas públicas e privadas para desenvolver o conhecimento.

O documento foi apresentando no 6º Fórum da Competitividade das Américas, que se realiza esta semana na Colômbia. Nele, é analisada a aplicação dos dez princípios gerais da competitividade, definidos no encontro anterior, em Santo Domingo, em 2011.

Com dados do BID e da Cepal, a conclusão é que os investimentos nessa área, na América Latina, são de 0,7% do PIB, ou 25% inferiores aos da média dos países desenvolvidos. No Brasil, o percentual sobe a 1,2% do PIB, acima da média continental, mas cerca de metade da média dos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, 2,40%.

Outro detalhe: na América Latina e Caribe, os investimentos em inovação, pesquisa e desenvolvimento se concentram nas universidades e instituições públicas (59% do total), bem mais que nos países da OCDE (35%).

10 Mandamentos
O Consenso de Santo Domingo inclui estes compromissos:

1) promover educação de alta qualidade, a transparência na gestão governamental (via marco institucional e regulatório estável e eficiente para os negócios e o investimento),

2) impulsionar a concorrência nos mercados e a conduta ética nas relações entre o setor público e o privado (pelo fortalecimento do estado de direito),

3) dar prioridade ao desenvolvimento do capital humano e a promover a formação para o trabalho e para a aquisição de novas competências,

4) incentivar o desenvolvimento de infraestrutura moderna e eficiente intra e inter países, fomentar a rápida adoção de novas tecnologias de informação e de comunicação,

5) considerar a inovação como fator determinante para a competitividade (com maior investimento público e privado em pesquisa e desenvolvimento e adoção de políticas e estratégias específicas).

6) melhorar o acesso ao capital para os atores econômicos, especialmente para as pequenas e médias empresas e os empreendedores,

7) promover mecanismos público-privados para aumentar a inclusão financeira,

8) fomentar a igualdade, a inclusão, o empreendimento social e a adotar e aplicar princípios de responsabilidade social e empresarial, bem como a igualdade de gêneros,

9) incentivar o comércio e a integração, a competitividade e a produtividade da indústria, priorizando as pequenas e médias empresas,

10) promover a eficiência e o desenvolvimento energético para a sustentabilidade ambiental e de baixos níveis de carbono.

(25/10/2012)